Pouca gente repara nisso, mas você já notou como as pinturas “clássicas” da Renascença Medieval, que aconteceu mais ou menos entre os século XIV e XVII, sempre ilustram mulheres sem sobrancelhas? E isso não é proposital e nem porque a tinta acabou, já que esse “erro” é cometido até por mestres do realismo que até hoje impressionam o mais técnico dos desenhistas.

Acontece que, até o século XVIII, era uma moda – e até mais que isso – raspar as sobrancelhas e os pelos faciais. Tudo partia da Igreja Católica, que considerava que qualquer pelo mostrado por uma mulher era impuro e representava a luxúria. Ou seja, como você pode ver, com aqueles vestidos e várias camadas de roupa, o pessoal ficava alucinado só de ver uma sobrancelha e imaginar outras partes a partir dali. E, como no período a Igreja ainda tinha muita força, esses costumes acabavam virando um tipo de lei, que inclusive estava apta a punições. Por isso, não era só a Mona Lisa que era assim:

Além disso, a testa era considerada o ponto mais belo no rosto de uma mulher (não me pergunte, também não entendi), especialmente nas que seriam retratadas para a imortalidade – ou seja, nobres e o pessoal da realeza. Portanto, da mesma forma que o Photoshop, não se sabe até que ponto os retratos são realidade ou “melhorias” feitas pelo artistas, mas é provável que grande parte das modelos e musas da época realmente tivesse essa aparência de Teletubbie.

Entretanto, se pararmos pra pensar, hoje anatomistas faciais e maquiadores, por exemplo, sabem o valor essencial que as sobrancelhas têm para as expressões faciais. E se um dia o mesmo for descoberto com o buço? Ou a “monocelha”? Afinal, querendo ou não, a depilação feminina que hoje é feita provavelmente é uma herança dessa cultura Católica medieval, já que muitas vezes é associada à “higiene”, que é uma palavra científica para a “pureza divina”.