Um dado nos conta que, nos últimos 350 mil anos da história mundial, apenas 230 deles foram de paz. Não é difícil de acreditar nisso dado que sempre que olhamos para a história olhamos para conflitos entre civilizações e basicamente é através de guerras, disputas e conflitos que entendemos como o mundo foi se desenvolvendo até chegar a ser o que é hoje.

Uma coisa que pode ser surpreendente é a afirmação do psicólogo Steven Pinker, que veio nos mostrar que apesar de tudo o que acreditamos estamos vivendo um dos momentos mais pacíficos de todos os tempos, e que ao longo do tempo a humanidade tem se tornado cada vez menos violenta.

Steven Pinker

Isso mesmo. Isso quer dizer que a Grécia Antiga era mais perigosa para todos os seres humanos do que era a Idade Média, e o período da Segunda Guerra Mundial era mais seguro do que a maior parte da Idade das Trevas.

E mesmo assim, durante a segunda guerra mundial estávamos correndo menos riscos de morrer pelas mãos de outros seres humano do que se estivéssemos em uma guerra tribal da idade média. E não é mera especulação, para afirmar isso, o psicólogo conduziu uma minuciosa pesquisa e se valeu do trabalho de renomados criminologistas para poder dar a sua conclusão.

Na Idade Média, a taxa de assassinatos era de cerca de 100 mortos por 100 mil pessoas/ano. Hoje as coisas estão mais tranquilas e há “apenas” um homicídio por 100 mil pessoas/ano. Até mesmo em conflitos armados, revoltas étnicas, “holocaustos” e golpes militares, a taxa de mortes caiu drasticamente tanto na Europa como nas Américas (mesmo na do Sul onde nós estamos), e passou de 65 mil mortos por conflito/ano, na década de 50, para menos de 2 mil mortos por conflito/ano no século XXI.

Nas sociedades primitivas, a probabilidade de morrer às mãos de outro ser humano era bem maior do que a de hoje. As chances de que você morresse pelas mãos de outro ser humano chegavam a 60%. Em comparativo, podemos lembrar que, se a mortalidade em guerras tribais tivesse prevalecido durante o século XX, ter-se-iam registado dois bilhões de mortes, em lugar de 100 milhões, mesmo com as duas grandes guerras acontecendo nesse período.

Se é assim, por que então temos a sensação de ter cada vez menos segurança e uma tendência quase que mais forte que nós próprios de achar que as coisas estão piorando?

Provavelmente porque o mundo atual nos permite saber em tempo real de conflitos que acontecem muito longe de nós, além de saber de tudo o que acontece perto de nós, o que era impossível em tempo mais antigos. Ou seja, as pessoas só se sentiam mais seguras porque não sabiam de tudo o que acontecia por aí.

E ainda assim é difícil nos sentirmos confortáveis com essa visão. Talvez isso se relacione com alguma vantagem evolutiva herdada de nossos ancestrais, de um tempo onde estar sempre desconfiado da própria segurança era algo vantajoso e poderia representar a diferença entre a vida e a morte. Contudo, não há mais motivo para se deixar levar por essa sensação. Os dados de Pinker são cuidadosamente elaborados e apontam para uma humanidade mais segura.

Todavia isso é uma tendência histórica, o que não quer dizer que não devemos nos preocupar com a violência existente hoje, ou achar que não temos como ser ainda mais pacíficos. Na realidade, as coisas podem mudar a qualquer momento e pode ser que no futuro sejamos mais violentos ou ainda menos violentos, mas o que os dados mostram é que não há razão para ser tão pessimista sobre nosso futuro.