O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tornou-se rapidamente um dos políticos mais poderosos e temidos do mundo. Mas ele teve uma longa história de subida ao topo, passando anos trabalhando no sistema de inteligência russa e na política local antes de se tornar o líder do país.

Através de uma perspectiva neutra, já que Putin é adorado ou odiado em diversos locais do mundo, você terá um vislumbre apenas da história do homem por atrás dos muitas faces. Confira a seguir a história de como Vladimir Putin passou da pobreza à presidência em pouco tempo:

O jovem caçador de ratos

Putin nasceu em Leningrado, no ano de 1952. No livro First Person, Putin revelou que seu pai era um trabalhador de fábrica com deficiência física devido à perda das pernas em uma missão suicida da Segunda Guerra Mundial. Sua mãe – que perdeu uma criança devido a difteria e quase morreu de fome durante a guerra – varria ruas, limpava equipamentos de laboratório e fazia outros trabalhos por pouquíssimas quantidades de dinheiro, de acordo com o The Times.

Ele e seus pais moravam em um pequeno quarto como parte de um apartamento compartilhado. Eles não tinham água quente e seu banheiro ficava ao lado de uma escada antiga e perigosa, cheia de buracos. Um dos professores de Putin descreveu a cozinha da família como “um corredor quadrado e escuro sem janelas”.

Para passar o tempo, Putin e seus amigos torturavam os ratos que viviam na escadaria do apartamento. Foi durante uma dessas caças de roedores que o futuro presidente aprendeu uma valiosa lição sobre os perigos de acurralar os oponentes em um canto: “Uma vez eu vi um grande rato e o segui pelo corredor até acurralá-lo em um canto. Ele não tinha para onde fugir. De repente, ele se atirou em mim. Fiquei surpreso e assustado. Agora o rato estava me perseguindo”. Putin fugiu, mas essa memória nunca foi perdida.

O estudante Putin

Todo bom professor sabe que há uma grande diferença entre desempenho e potencial, o que certamente se revelou verdadeiro no caso de Putin. O ABC News informou que o jovem Putin ignorava lições (levando-o às notas baixas), atirava giz em colegas e teve problemas com seu professor de ginástica em múltiplas ocasiões.

Porém, por trás de seu verniz de impudência e violência baseada em gizes, existia o cérebro vencedor de um aluno nota 10. Na sexta série, um professor o ajudou descobrir seu potencial nos estudos e suas notas melhoraram significativamente. De acordo com o The LA Times, os anos de ensino médio de Putin foram bastante diferentes de seus dias de escola primária. Depois de ser aceito em uma escola para talentosos, ele estabeleceu-se como um estudante dedicado e bastante notado. A partir daí, fez faculdade de direito e logo se juntou à KGB.

O ansioso membro da KGB

A maioria dos jovens tem sonhos vocacionais cortados pela difícil vida real. Mas Putin colocou o seu sonho em prática. Como o The LA Times revelou, ele sabia desde a nona série, que queria se juntar ao KGB, a ex-principal organização de serviços secretos da União Soviética, que desempenhou suas funções até 1991. Putin admitiu mais tarde que seu desejo era “baseado em histórias românticas sobre espiões” ao invés de uma compreensão concreta da própria organização.

Impulsionado por seu sonho de infância, ele viajou para a sede da KGB em Leningrado para oferecer seus serviços. Porém, era muito cedo. Disseram-lhe que ele precisaria fazer uma faculdade de direito. E ele fez exatamente isso, obtendo um diploma de Direito em 1975. Evidentemente impressionado com seus resultados, a agência de inteligência ofereceu a Putin um cargo, que aceitou sem pensar duas vezes. Ele logo entrou na escola de espiões, onde aprimorou suas habilidades em alemão e inclusive em judô – chegando até a faixa preta.

Em 1985, Putin viajou para a Alemanha Oriental para fazer seu trabalho de inteligência secreta. Os detalhes de suas atividades exatas são desconhecidos, mas o The Atlantic sugeriu que ele poderia ter coletado segredos tecnológicos ou oficiais de alto escalão do governo como parte de uma missão chamada Operação Luch. Em 2017, Putin fez o que os relatos de imprensa chamavam de “revelação deslumbrante”, alegando ter trabalhado “com inteligência ilegal”. Em outras palavras, suas atividades de alguma forma envolveram espionagem profunda sem a cobertura de proteções diplomáticas. Isso pode significar que Putin talvez fosse um James Bond soviético, no mínimo.

Quando a Alemanha Leste foi ao Sul

O rude despertar de Putin ocorreu em novembro de 1989 com a queda do Muro de Berlim. Os cidadãos já tinham se estabelecido na Alemanha Ocidental. Mas, uma vez que a liberdade parecia segura, muitos começaram a buscar lutar contra os soviéticos que há muito tempo reprimiam sua liberdade. Com medo de uma agitação violenta, Putin procurou desesperadamente o apoio dos funcionários de Moscou. Mas, em vez de conseguir os tanques que solicitou, Putin recebeu uma resposta angustiante: “Não podemos fazer nada sem ordens de Moscou. E Moscou está em silêncio”.

As palavras foram ensurdecedoras para ele. O comunismo havia sido encurralado, mas em vez de se defender ferozmente, ele se rendeu sem um único chiado. O The Atlantic resumiu sucintamente como isso influenciou o espião desiludido: “Putin soube que sua atividade futura, na KGB ou de outra forma, não poderia ser guiada pela lealdade cega a uma ideologia ou a líderes políticos específicos. Sua lealdade devia ser para o próprio Estado”.

O manifesto pós-comunista

Depois de mexerem com sua nuvem comunista, Putin queria criar um sistema fundamentado em um fervor nacionalista e subserviência às instituições governantes. Durante seu primeiro período como primeiro ministro russo, ele explicou essa visão em um documento de 1999 intitulado “Rússia na virada do milênio”. Comumente referido como “O Manifesto do Milênio”, o documento apresentou a visão de Putin sobre as perspectivas passadas e futuras da Rússia.

Como o The Atlantic resumiu, o primeiro-ministro atribuiu principalmente a história russa de agitação política a uma população dividida. Habitantes tinham ficado excessivamente enamorados com conceitos estrangeiros, como a liberdade de expressão e a in

dividualidade. Para a Rússia ocupar o lugar no panteão das grandes nações, os cidadãos precisavam se unir sob um governo central e forte. Putin enquadrou isso não em termos de desejo, mas de destino. Mais apropriadamente (e talvez intencionalmente), dois dias depois de revelar seu manifesto sobre o destino russo, Vladimir Putin tornou-se presidente.

O presidente do milênio

Dez anos separaram a queda do Muro de Berlim e a ascensão de Putin à presidência russa. Durante grande parte desse período, Putin era relativamente desconhecido. E uma vez que ele se tornou conhecido, despertou pouca confiança entre os especialistas políticos. De acordo com o The Atlantic, mesmo quando Boris Yeltsin promoveu Putin a primeiro-ministro em 1999, analistas concordaram em grande parte que o início “seria muito limitado no que ele poderia fazer”. Talvez esses especialistas também tinham previsto o rápido desaparecimento do Google, que foi fundado apenas 16 meses antes de Putin se tornar presidente. O reinado de Putin é quase a idade do Google.

Dando certo crédito aos especialistas, o histórico de Putin até esse ponto era bastante estéril. Segundo o canal History, depois de servir brevemente como deputado-prefeito de Leningrado, Putin trabalhou sob o presidente Boris Yeltsin entre 1998 e 1999. El

e começou como uma ligação entre o Kremlin e os escritórios governamentais inferiores, tornou-se chefe de segurança por um tempo e logo se tornou primeiro ministro. Cinco meses depois, Yeltsin desistiu e nomeou Putin presidente.

Em menos de dois anos, Putin passou de um ponto de interrogação político para um ponto de exclamação vermelho gigante. No entanto, como informou o Washington Post, o jovem presidente ganhou aprovação pública ao travar uma guerra agressiva contra rebeldes chechenos e se auto intitula um cara durão. Quando chegou a hora de eleger oficialmente um novo presidente russo, Putin venceu decisivamente.

Com grandes poderes, se tem ainda mais poder

A vida de Vladimir Putin teve um número absurdo de eventos históricos. Ele nasceu cinco meses antes da morte de Joseph Stalin. Testemunhou o colapso do comunismo de primeira mão e herdou sua primeira presidência do último líder da União Soviética. Ele literalmente remodelou outro país tomando um de seus territórios.

Dado seu reinado aparentemente eterno, muitos se perguntaram: quando Putin colocará sua se retirará da política? Em 2014, repórteres russos perguntaram ao presidente em questão se ele pretendia mudar a constituição para tornar seu reinado permanente. De acordo com a CBS, Putin descreveu esse cenário como “nada bom e prejudicial para o país”, acrescentando ainda: “Eu também não preciso disso”.

Claro, Putin pode não “precisar” reescrever a lei, porque dificilmente restringe seu poder tal como está. O The Independent observou que a constituição da Rússia proíbe que os presidentes tenham mais de dois mandatos consecutivos. Putin tornou-se presidente de três mandatos, simplesmente fazendo uma pausa entre eles para se tornar primeiro-ministro uma segunda vez. Em teoria, ele poderia empregar essa tática indefinidamente. Atualmente, ninguém sabe suas intenções porque, como Putin disse, ele ainda não decidiu se deixará a presidência.


Via: Mistérios do Mundo