Em meados de 1830, na França, um simples caiador de casas conhecido por Leclaire concluiu que sua empresa perdia anualmente cerca de 75.000 francos como consequência da desonestidade e irresponsabilidade dos seus operários. O problema tornou-se algo constante no pensamento do empreendedor, que decidiu por qualquer meio por fim a tamanho prejuízo

Para sanar esse grave problema, Leclaire decidiu melhorar as relações entre chefe e operários, elevando os salários até ficarem um pouco maiores do que o salário médio corrente e fundou a Sociedade Mútua Beneficente – para os operários. Nessa primeira tentativa, os resultados alcançados foram abaixo do esperado.

Como segunda ideia, recebendo influência das sociedades cooperativistas que haviam se tornado famosas na França, Leclaire decidiu experimentar a participação dos operários nos lucros. Para comprovar sua devida honestidade, e para fazer frente às alegações dos operários de que o projeto apenas visava diminuir o salário dos funcionários, o patrão convocou toda a equipe para uma reunião e, quando todos lá estavam presentes, pôs numa mesa um saco de ouro e deu a cada um o valor de 275 francos.

Charlie Chaplin no filme “Tempos Modernos”

Diante de tamanha prova de obstinação, os operários adjunto a Leclaire começaram a executar o plano: este deveria receber 5% sobre o seu capital e mais um salário fixo pelo trabalho de gerante, enquanto o lucro restante seria divido, igualitariamente, entre o restante dos operários. Com o tempo, as expectativas foram alcançados, com os operários demonstrando maior interesse no sucesso da empresa, tendo melhorado o comportamento e não tendo mais faltado ao trabalho (tornou-se raro que funcionários faltassem).

Diante de tal êxito, Leclaire afirmou que sua fortuna de 1.250.000 francos jamais teria sido conseguida sem o plano de participação nos lucros. O mesmo morreu em 1872.

Diante dos mais diferentes tradeoffs, as pessoas escolhem entre o que mais traz-lhes benefícios. Nesse caso, os funcionários ao perceberem que a recompensa pelo seu trabalho, a partir da execução do plano, estaria associada diretamente a sua capacidade produtiva decidiram por esforçar-se mais em busca do êxito do empreendimento – o incentivo do funcionário para ser mais produtivo é o lucro, que possui uma relação positiva com aquele.

E para compreendermos melhor a economia, é necessário relembrar algo simplório, que cada vez mais aparenta estar sendo esquecido por governos e empresas: as pessoas reagem a incentivos. É uma lei da economia, não há como fugir.

Notas

BIRNIE, Arthur. História Econômica da Europa. 1 edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964.