Após a alegação do ditador norte-coreano, Kim Jong-Un, de que os mísseis balísticos produzidos pelo país são capazes de alcançar cidades importantes dos EUA, a trama de uma possível guerra têm atraído novamente a atenção. E não é por pouco: a ideia de um confronto armado motivado principalmente pelas ideologias de mercado parece algo esquecido em 1989.

Mas nesse emaranhado, uma pergunta surgiu: como a Coreia do Norte, uma das últimas economias planificadas modo estalinista – ou seja, o mercado é quase nulo no país – consegue manter um programa militar tão articulado? Como a cúpula ditatorial consegue pagar?

Antes de respondermos a pergunta, é importante compreender o sistema econômico norte-coreano: segundo o BC (Banco Central) da Coreia do Sul, aquele possui uma renda nacional bruta per capita de 1.343 dólares (2016). E, por estimativas feitas pela CIA, uma economia com tamanho de US$ 40 bilhões. O resquício de comércio existente é movimentado principalmente pelas exportações de artigos manufaturados, minérios e produtos agrícolas.

Exposição de mísseis balísticos

Os principais compradores do país são a China (compra em média 54% da produção norte-coreana), a Argélia (30%) e a Coreia do Sul (16%) – por mais que as duas Coreias mantenham uma guerra política desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o comércio entre ambas é volumoso e mantém boas relações. O comércio entre os países é movimentado principalmente por armamento e produtos têxteis.

Além das exportações, fração considerável do dinheiro destinado ao programa militar norte-coreano é retirado da população através de impostos. E é através desse sistema, num brilhante exemplo de tradeoff com que uma ditadura costuma lidar – população alimentada ou programa militar.

Infelizmente, Kim Jong-Un em seu complexo de Napoleão, retira o pouco do dinheiro que a população ainda possui para construir um desnecessário programa militar. Adjunto a isso, a China, Argélia e a própria Coreia do Sul alimentam a outra fração do programa militar.

Recentemente a China e a Coreia do Sul anunciaram que não iriam mais comercializar com produtos que tivessem o recurso destinado ao conjunto militar, mas provavelmente demorara alguns anos a mais para que essa trama cesse.