Originalmente chamada de Operação Overcast, a Operação Paperclip foi o nome de código da operação realizada pelo serviço de inteligência militar dos Estados Unidos para cooptar e levar aos Estados Unidos cientistas especializados em foguetes (V-1, V-2), eletro-gravitação, armas químicas, e medicina da Alemanha com o colapso do governo nacional socialista após a Segunda Guerra Mundial. Esses cientistas (dentre eles Wernher von Braun) e suas famílias foram secretamente levados para os Estados Unidos, sem o conhecimento ou aprovação do Departamento de Estado norte-americano. Nenhum deles tinha qualificação para um visto de entrada nos EUA, pois todos haviam servido a causa nazista durante a Segunda Guerra Mundial .

Quando a segunda guerra mundial finalmente encontrou seu fim, o mundo já não era mais o mesmo. Com a Alemanha fora do caminho, Estados Unidos e União Soviética começaram a disputar a hegemonia do mundo pós guerra em uma corrida por tecnologia e armamentos, a fim de demonstrar a superioridade de uma nação sobre a outra. Nesse intuito, era muito estratégico aproveitar-se de todas as pesquisas e avanços científicos possíveis.

Durante os anos de guerra, a Alemanha foi uma pesquisadora muito importante e desenvolveu tecnologia de ponta para armamento, inclusive o atômico foi um dos seus maiores investimentos. Além disso, a medicina conduzida pelos nazistas alcançou resultados impressionante muito rápidos às custas de uso de cobaias humanas para testar tratamentos e a resistência do corpo em situações extremas, sem se preocupar com a segurança das vítimas.

O ponto é que após a derrota da Alemanha, esse conhecimento estava todo disponível para as maiores potências do mundo como ressarcimento pela guerra e muito da produção bélica alemã foi levada pelos Estados Unidos.

Entretanto uma parte do desenvolvimento de guerra não podia ser simplesmente levado sem maiores problemas. Isso porque a maior parte do conhecimento obtido naquela época ainda estava em desenvolvimento por cientistas nazistas. A melhor solução para tudo isso?

O Pentágono realizou uma operação secreta altamente confidencial para abrigar os maiores cientistas nazistas nos Estados Unidos e escondê-los de responderem por seus crimes de guerra. Para isso, os infiltraram no país e mudaram suas identidades. Eles davam aos cientistas uma nova vida e o país ganhava uma vantagem competitiva na corrida espacial, já que os nazistas eram especialistas em mísseis balísticos e, curiosamente, em foguetes.

Como vocês já devem imaginar, isso não era algo muito ético de ser feito e nem seria muito fácil explicar para o povo americano porque os EUA, o maior inimigo dos nazistas, estava agora escondendo prisioneiros de guerra, por isso todo o segredo em cima da operação, que ficou conhecida como Operação Paperclip.

Grupo de 104 cientistas em Fort Bliss, Texas.

Engenheiros alemães estavam presentes no Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba nuclear responsável pelo ataque à Hiroshima e Nagasaki e ao início da era nuclear.

Na área de balística, um dos mais renomados cientistas era Wernher von Braun, que era líder do programa de foguetes alemão. Ao fim da guerra, ele foi um dos 1600 cientistas acolhidos pela paperclip, trabalhando para o exército americano na construção de mísseis e, mais tarde, se empregou na agência espacial americana, sendo o coordenador da equipe que construiu os foguetes da família Saturn, inclusive o Saturn V, que foi nada mais nada menos que o foguete usado na missão Apollo 11, que levou o homem à lua pela primeira vez e deu aos Estados Unidos a vitória na guerra fria, pelo menos na corrida espacial.

A União Soviética também teve sua própria versão da paperclip, denominada operação osoaviakhim, que importou 2000 cientistas e ficou com a maior parte do equipamento de guerra alemão, já que conseguiam transportar por terra tudo o que considerassem importante, enquanto os EUA precisava passar pelo mar. Contudo, dados os resultados dos anos posteriores, a operação não parece ter sido tão bem sucedida para a URSS quanto foi para os EUA.