Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Alemão com sua famosa tática de avanço, a Blitzkrieg (Guerra relâmpago), que consistia em utilizar forças móveis em ataques rápidos e de surpresa para evitar que as forças inimigas tivessem tempo de organizar sua defesa, percebia que os armamentos usados pelas tropas eram inferiores a dos seus oponentes. Naquela época, o Exército Alemão considerava o fuzil como apenas uma arma de “suporte”, sendo a arma primária da infantaria uma metralhadora-leve ou pesada. Os soldados carregavam consideravelmente mais munições para uma metralhadora que para seus próprios fuzis. Ao longo da guerra, essa tática estava se tornado obsoleta, já que as tropas inimigas estavam utilizando armamentos novos e avançados. Houve-se a real necessidade do Exército Alemão em adquirir um novo armamento para suas tropas, e que essa arma fosse igual ou superior ao poder de fogo das tropas inimigas.

Vendo a situação, os Generais do Exército ordenaram que seus engenheiros desenvolvessem e construíssem um novo armamento para suas tropas. A nova arma teria que ser mais leve, mais robusta, com boa cadência de tiro, mais fácil para o transporte e que fosse eficaz em combates fechados. O projeto da nova arma ficou ao encargo de Hugo Schmeisser, um dos designers de armas mais reconhecidos da Europa e que já havia desenvolvido outros armamentos para a Alemanha. Em 1942, Hugo e outros engenheiros começaram  a trabalhar com o projeto da nova arma e em 1943 ela já estava pronta. Nasceu a STG44 (Sturmgewehr 44), o primeiro Fuzil de Assalto do mundo.

Sturmgewehr 44, originou-se da MKb42, que foi desenvolvida pela empresa alemã Walther, em 1940. A MKb42 foi uma arma inovadora para a época, que permitiu a utilização do conceito “Ação à gás”, que facilitava a ejeção dos projéteis deflagrados e a troca do modo de disparo, permitindo também que a arma lançasse granadas através de seu cano. Porém a arma não foi adquirida pelos militares alemães, alegando defeitos de projeto nas armas e que não se adequavam as exigências dos nazistas. Aproveitando o projeto da MKb42, Hugo resolveu fazer modificações na arma, trocando seu sistema de disparo, assim como toda sua parte externa. Essas modificações, permitiu aos engenheiros a desenvolverem versões melhoradas da MKb42, surgindo dali, os protótipos:  MP43 e a MP44. 

MKb42.

A MP43, parecia, realmente, capaz de cumprir suas funções no campo de batalha e de substituir os rifles alemães, que já estavam obsoletos para a guerra. Mas o protótipo apresentou sérios defeitos que incapacitou as chances de ser usada em combate. Dentre os defeitos, a MP43 não tinha precisão ao disparar, o sistema de recarga travava, não tinha um encaixe para a baioneta e não suportava a alta cadência de tiro. A arma também era pesada, portanto, o Exército Alemão desaprovou a MP43.

Isso tudo só seria corrigido com a chegada da MP44. Esse protótipo evoluiu em muitos aspectos. Todo seu sistema interno foi modificado, feito para operar com mais facilidade. Em muitos testes de tiro realizados, a arma teve 100% de aproveitamento. Era bastante precisa, não apresentava panes no seu sistema, era mais leve que a versão anterior e aguentava a alta cadência de tiro. Foram realizadas também, simulações de combate, onde a arma se saiu muito bem. Depois de muitos testes, os militares alemães aprovaram a MP44 e pediram a autorização de Adolf Hitler para produzi-la em massa, porém ele negou. A MP44, inicialmente, foi produzida em segredo e em pouca quantidade que apenas equipou algumas unidades do Exército. A MP44 estreou em combate na Frente Oriental, onde os alemães lutavam contra o Exército Vermelho. A arma provou sua grande eficiência em combate, tendo gerado muitas baixas para as tropas Soviéticas. Tal eficiência atraiu os olhos de Hitler novamente, que depois autorizou sua produção em massa.

A sigla “MP” (Maschinenpistole), que era usada na denominação das Submetralhadoras alemãs, mudou para “STG” (Sturmgewehr), que significa Fuzil de Assalto. Surgiu dali o termo “Fuzil de Assalto”, que revolucionou o mundo das armas como conhecemos hoje.

STG44.

 

STG44 (Sturmgewehr 44), tinha um calibre de 7,62X33mm, capaz de atravessar paredes reforçadas e outros materiais mais resistentes. Seu Pente foi projetado para receber mais munição, cabendo ao máximo 30 projéteis, podendo receber também um Pente estendido com até 40 projéteis. Era uma arma robusta, de fácil manutenção. A sua alça de mira podia ser ajustada para o ângulo que o atirador precisava, dando a arma mais precisão para acertar o alvo. Foi fabricada inicialmente pela empresa Walther e depois pela Mauser.

A STG44, serviu de base para construção de muitas armas ao longo dos anos. Entre elas, a família de Fuzis AK, projetada por Mikhail Kalashnikov. A STG44, sempre será recordada como o “Pai dos Fuzis de Assalto”.