Três meses após ter sido mantido no cargo graças a uma votação apertada no Congresso, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, renunciou à Presidência do país, acuado por um escândalo de acusação de compra de votos, que se segue a suspeitas de recebimento de dinheiro da construtora brasileira Odebrecht.

“Devo renunciar à Presidência do país porque não quero ser um estorvo ao caminho da nação. Não quero que (a crise política) afete a minha família e o país”, afirmou Kuczynski nesta quarta-feira, negando as acusações de corrupção e alegando que a oposição manobrou para derrubá-lo. “A oposição tentou me pintar como uma pessoa corrupta e conseguiu. Reafirmo meu compromisso com um Peru melhor para todos.”

Na tarde de quarta-feira(21/03), jornais peruanos já afirmavam que o presidente tinha a carta de renúncia pronta para ser entregue ao Congresso peruano – o qual pretendia votar nesta quinta-feira se PPK seria destituído ou não de seu cargo. Segundo as agências de notícias, a polícia já estaria em alerta máximo para possíveis episódios de violência, em meio ao aprofundamento da crise política.

Com sua renúncia, assume a Presidência o vice, Martín Vizcarra.

COM ESCÂNDALO POLÍTICO, FACEBOOK PERDE QUASE US$ 50 BILHÕES EM VALOR DE MERCADO

Conhecido como PPK, Kuczynski, de 79 anos, assumiu a Presidência do Peru há menos de dois anos, em julho de 2016, para um mandato até 2021.

Lava Jato

No Peru, as investigações da Lava Jato envolvem os principais políticos e partidos do país, e as revelações são contínuas.

Em fevereiro deste ano, o ex-diretor da Odebrecht Peru, Jorge Barata, teria revelado as contribuições da empresa para os principais partidos políticos peruanos na campanha presidencial de 2011, incluindo as legendas de Keiko Fujimori (filha de Alberto), de PPK e do ex-presidente Alejandro Toledo, considerado foragido pela Justiça por supostas propinas que teria recebido por parte da construtora brasileira.

Na terça-feira, já em meio ao clima de incertezas sobre o destino de PPK, o governo aprovou o pedido de extradição de Toledo, que mora nos Estados Unidos.

Toledo (2001-2006) e outro ex-presidente peruano, Ollanta Humala (2011-2016), são investigados no âmbito da Lava Jato. Humala, que está preso, é acusado de receber “dinheiro ilícito” da Odebrcht para financiar sua campanha eleitoral de 2011, quando foi eleito presidente.

Foi em meio ao clima de incertezas e a horas da votação desta quinta-feira que os vídeos foram divulgados.

Informações da BBC Brasil