O programa nuclear da Coréia do Norte continua a ser uma fonte de profunda preocupação para a comunidade internacional. Apesar de vários esforços para reduzi-lo, o governo de Pyongyang diz que já realizou cinco testes nucleares.

A Coreia do Norte realmente é uma ameaça?

Tecnicamente, sim. A Coréia do Norte realizou vários testes com bombas nucleares.

No entanto, para lançar um ataque nuclear aos vizinhos, ela precisa ser capaz de fazer uma ogiva nuclear pequena o suficiente para se encaixar em um míssil.

Enquanto a Coréia do Norte afirma que “miniaturizou” ogivas nucleares com sucesso, especialistas internacionais há muito tempo duvidam sobre essas afirmações.

No entanto, de acordo com informações vazadas para o Washington Post em agosto de 2017, os oficiais de inteligência dos EUA agora acreditam que a Coréia do Norte realmente é capaz de miniaturizar ogivas.

Quão poderosas são as bombas nucleares da Coréia do Norte?

A Coréia do Norte diz que realizou cinco testes nucleares com sucesso: em 2006, 2009, 2013 e em janeiro e setembro de 2016, e o poder das bombas parece ter aumentado a cada teste.

O teste de setembro de 2016 indicou um dispositivo com um rendimento explosivo entre 10 e 30 quilotoneladas – que, se confirmado, tornaria o teste nuclear mais forte do Norte.

A outra grande questão é se os dispositivos que estão sendo testados são bombas atômicas, ou bombas de hidrogênio, que são mais poderosas ainda.

As bombas de hidrogênio, ou bombas-H, usam fusão – a junção dos átomos – para desencadear enormes quantidades de energia, enquanto que as bombas atômicas usam fissão nuclear ou a divisão de átomos. Os testes de 2006, 2009 e 2013 foram todos testes de bombas atômicas.

A Coreia do Norte afirmou que o teste de janeiro de 2016 foi o de uma bomba de hidrogênio.
Mas especialistas lançam dúvidas sobre a reivindicação dada a dimensão da explosão registrada.

Plutônio ou urânio?

Outra questão seria descobrir os materiais iniciais para os testes nucleares. Analistas acreditam que os dois primeiros testes usaram plutônio, mas não há certeza se a Coréia do Norte usou plutônio ou urânio como material inicial para o teste de 2013.

Um teste de urânio bem sucedido significaria um salto significativo no programa nuclear da Coréia do Norte. Os estoques de plutônio do da Coréia do Norte são finitos, mas se pudessem se enriquecer de urânio, poderiam construir um estoque nuclear.

O enriquecimento de plutônio também deve acontecer em grandes instalações fáceis de serem detectadas, enquanto que o enriquecimento de urânio pode ser mais facilmente realizado em segredo.

A Coréia do Norte realmente poderia lançar suas armas nucleares?

Não há consenso sobre a situação da Coreia do Norte em termos de miniaturização de um dispositivo nuclear para que possa ser lançado através de um míssil.

De acordo com informações vazadas ao Washington Post, os oficiais de inteligência dos EUA agora acreditam que a Coréia do Norte possui a tecnologia necessária para encaixar seus mísseis com ogivas nucleares.

O Ministério da Defesa do Japão também afirmou recentemente que esta é uma possibilidade.
A nova avaliação veio semanas depois que a Coréia do Norte testou o que disseram ser um míssil balístico intercontinental capaz de chegar ao continente americano. Enquanto analistas duvidam a reivindicação de Pyongyang, a maioria dos especialistas concorda que o míssil pode chegar ao Alasca ou ao Havaí.

O que mais sabemos sobre o programa nuclear da Coréia do Norte?

Um local nas montanhas perto de Yongbyon, ao norte de Pyongyang, é considerado a principal instalação nuclear da Coréia do Norte, enquanto os testes de janeiro e setembro de 2016 foram realizados em Punggye-ri.

O local de Yongbyon processa combustível gasto de centrais elétricas e tem sido a fonte de plutônio para o programa de armas nucleares da Coréia do Norte.

Tanto os EUA quanto a Coréia do Sul também disseram que acreditam que a Coréia do Norte possui áreas adicionais ligadas a um programa de enriquecimento de urânio. Segundo eles, o país possui abundantes reservas de minério de urânio.

O que a comunidade global fez a respeito disso?

Os EUA, a Rússia, a China, o Japão e a Coreia do Sul contataram a Coréia do Norte com várias negociações. Houve várias tentativas de consentimento com acordos de desarmamento com a Coréia do Norte, mas nada disto dissuadiu Pyongyang.

Em 2005, a Coréia do Norte concordou com um acordo histórico visando desistir de suas ambições nucleares em troca de auxílio econômico e concessões políticas. Em 2008, a Coréia do Norte eliminou torre de resfriamento em Yongbyon como parte do acordo de desarmamento por auxílio.

Mas a implementação do acordo revelou-se difícil e as negociações ficaram paralisadas em 2009.

Os EUA nunca acreditaram que Pyongyang estava fechando completamente todas as suas instalações nucleares – uma suspeita reforçou essa reindivicação quando a Coréia do Norte revelou uma instalação de enriquecimento de urânio em Yongbyon, supostamente com intuito de geração de eletricidade, para o cientista norte-americano Siegfried Hecker em 2010.

Em 2012, a Coréia do Norte anunciou repentinamente que suspenderia atividades nucleares e colocaria uma moratória sobre testes de mísseis em troca da ajuda alimentar norte-americana. Mas pelo jeito o acordo não foi adianta, quando Pyongyang realizou testes com um foguete em abril desse ano.

Em março de 2013, depois de uma ‘guerra de palavras’ com os EUA e com novas sanções da ONU sobre o terceiro teste nuclear daa Coréia do Norte, Pyongyang prometeu reiniciar todas as instalações em Yongbyon. Até 2015, as operações normais pareceram ter sido retomadas.

Os testes de 2016 levaram a uma condenação internacional à Coreia do Norte, inclusive da China – seu principal parceiro comercial e único aliado.

Em 2017, a ONU realizou em um novo acordo de sanções – penas contra aqueles que violam a lei – em resposta aos testes.

Em agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou a Coréia do Norte com “fogo e fúria” se o país não abandonasse suas ameaças contra os EUA.

A retórica de Washington fracassou, no entanto, a controlar as ameaças de Pyongyang, que por sua vez disse que estava desenvolvendo um plano de ataque para atingir o território norte-americano de Guam, uma ilha no Pacífico Ocidental.


Via: BBC