Um dos maiores especialistas em evolução humana do Brasil, o antropólogo Walter Neves resolveu fazer um experimento evolutivo dos mais ousados com sua própria vida. Quatro meses depois de se aposentar como professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Neves quer se transformar num híbrido raríssimo de político com cientista; coisa pouco vista na história da política nacional. No mês que vem, após 30 anos de carreira acadêmica, analisando ossos e escavando fósseis, vai se lançar candidato a deputado federal pelo Partido Pátria Livre (PPL), uma legenda criada em 2011.

Sua candidatura foi aprovada nesta sexta-feira, 23, por um colegiado de acadêmicos preocupados com a situação política do País, denominado Cientistas Engajados. Os integrantes do grupo deverão ser apresentados num evento no dia 7 de abril, na sede do PPL em Brasília.

Aos 60 anos, Neves é conhecido internacionalmente por seus estudos nas áreas de evolução humana e ocupação das Américas. Formado em biologia e arqueologia, foi professor titular do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP, onde fundou o Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos. É famoso pela descoberta de Luzia, o esqueleto mais antigo das Américas – e também pela língua solta, opiniões afiadas e espírito aguerrido.

“Se pessoas honestas e briguentas não tomarem o poder, tudo vai continuar do jeito que está”, afirma Neves. “Os cientistas não podem ficar passivos diante do que está acontecendo com o Brasil.”

Um cientista candidato é algo inusitado no País. Neves confessa que a ideia não partiu dele, mas do PPL, e que nunca havia pensado sobre isso antes, mas está decidido a encarar o desafio e espera que outros sigam seu exemplo, com o sonho de criar uma “bancada do conhecimento” no Congresso.

Informações do Jornal ESTADO DE MINAS