Quando pensamos que a humanidade já chegou em seu limite, podemos ver que estamos enganados: é o que nos mostra o caso de Sarah Baartman, uma mulher africana que era exibida como atração de circo.

Sarah morreu em 29 de dezembro de 1815, após passar anos sendo exibida em circos e em feiras europeias de “fenômenos bizarros”. Os rumores voltaram à tona por conta de uma proposta que quer transformar a vida de Baartman em um filme, que seria protagonizado por Beyoncé em sua luta contra o racismo, porém ainda permanece em sigilo.

A história da moça foi um tanto triste: estima-se que que ela tenha nascido em 1789, na Província Oriental do Cabo da África do Sul. Sua mãe faleceu quando ela tinha apenas dois anos de idade e ela foi criada pelo pai, que também faleceu durante sua adolescência.

Ela começou a trabalhar como empregada, até que arrumou um companheiro com quem teve um bebê, que mais tarde foi assassinado por um colono holandês. O bebê de Sarah também morreu.

Sarah era analfabeta e sob promessas falsas de um médico britânico chamado William Dunlop assinou um contrato concedido por seu patrão para que ela “fosse levada para a Europa para ser tratada”. A realidade é que Baartman foi para o circo e transformada em uma atração de nome artístico de “A Vênus Hotentote”. Ela ia de Londres a Paris, onde multidões observavam seu traseiro, em ato de completa ridicularização das pessoas negras, que muitas vezes eram representadas com objetos, e também de sua condição física.

Baartman, também conhecida como Sara ou Saartjie, tinha uma condição genética que faz com que as pessoas tenham nádegas extremamente protuberantes, chamada esteatopigia. Esse tipo de condição era comum nos países africanos, porém não na Europa.

O show foi polêmico para a época, porém com o passar do tempo começou a perder sua força. Baartman teria sido vendida a um empresário e por ele prostituída, morrendo aos 26 anos de idade por “uma doença inflamatória e eruptiva”. O que faz os especialistas cogitarem que seja uma pneumonia, sífilis ou mesmo alcoolismo.

Seu cérebro, esqueleto e órgãos sexuais foram retirados e exibidos em um museu de Paris até 1974, quando Nelson Mandela pediu para que seus restos voltassem para a África, o que a França prontamente concordou.

Esperamos que a história de Sarah Baartman realmente vá para o cinema e sirva para alertar as mais diversas culturas que a crueldade existiu e ainda existe entre determinados povos.

Fonte: BBC