Esses lendários guerreiros nipônicos inspiram personagens e filosofias até hoje, e se tornaram mundialmente famosos por representarem a versão oriental dos cavaleiros reais da Idade Média. Apesar disso, sua força era baseada na agilidade e não no poder físico, estimulada por uma incrivelmente rígida disciplina e visão da vida, que preconizava a honra acima de qualquer coisa. Sua bíblia era o Bushidô, livro de regras filosóficas que mais tarde seria popularizado no mundo inteiro, de onde grande parte da cultura mostrada abaixo foi originada. Então, com vocês, 10 fatos curiosos e provavelmente desconhecidos sobre os samurais:

1 – A armadura

Diferentemente das armaduras ocidentais, a armadura dos samurais era feita para garantir mobilidade ao usuário, e não apenas proteção. Geralmente confeccionada em couro, madeira ou metal, placas eram presas nos ombros e abdômen através de fitas de couro ou seda. Por baixo da parte resistente, havia muito acolchoamento, mantendo proteção e também conforto. Numa armadura samurai, há 3 detalhes característicos: 1) o elmo, que foi o primeiro a trazer uma proteção para o pescoço com o alongamento da parte inferior, o que inclusive deu origem ao modelo de capacete de Darth Vader, 2) a ausência de materiais pesados no braço direito, que o samurai usaria para a força de seus golpes e 3) a parte facial do capacete, que, além de intimidar os inimigos, fornecia proteção para o rosto contra cortes e até mesmo flechas.

2 – Educação

Apesar de existirem exceções, os samurais eram parte da nobreza, e portanto tinham privilégios que as demais classes sociais não recebiam. Entre eles, a instrução e hábito à leitura e escrita, o que os fazia extremamente cultos. De acordo com o Bushidô, livro que regia a cultura samurai, era importante ser bom em mais de uma coisa. Por isso, além de lutar, samurais praticavam a matemática, literatura, poesia, estudavam caligrafia e desenho e outros tipos de artes, como o arranjo de flores.

3 – Moda

Geradas para dar mobilidade mas também altamente populares na moda da época, as roupas de um samurai definiam seu pertencimento ao seleto grupo de guerreiros que eram adorados como estrelas do rock na época. O conjunto mais escolhido era o de calças de tecido, uma túnica e um roupão usado por cima dela, geralmente de seda, tanto pela mobilidade e frescor quanto pela aparência extravagante. Se necessário, o samurai poderia tirar a parte de cima das vestimentas rapidamente, o que era uma vantagem em relação à mobilidade tática.

4 – Existiram samurais mulher

Apesar desse ser um tabu e inclusive da própria palavra “samurai” referir-se exclusivamente a homens, existiram as chamadas “onna-bugeisha”,  mulheres treinadas de acordo com o Bushidô. Suas armas preferidas eram lanças com pontas de lâminas recurvadas, leves e ágeis. Costumavam lutar junto com os samurais e, contrariamente à ideia de que talvez  tenham sido raras, há evidências histórias de que na verdade eram numerosas: na batalha de Senbon Matsubaru, em 1580, por exemplo, 35 dos 105 corpos encontrados eram de mulher, o que revela grande participação das mesmas nas artes da guerra.

5 – A katana

O Bushidô diria que “a alma de um samurai está em sua katana”, o que representa a popularização e carinho acerca dessa leve porém mortal arma, tão diferente das gigantes e pesadas espadas ocidentais. Apesar disso, samurais não usavam exclusivamente espadas, e muito menos katanas. Treinavam religiosamente com seus arcos, chamados de yumi, que mais tarde foram substituídos por rifles e armas com pólvora. Além disso, eram treinados para o uso de lanças, adagas e outros tipos de armas.

6 – Exércitos

Quando pensamos em samurais, geralmente pensamos em forças táticas, como o BOPE, SEALS ou até mesmo pequenas equipes especiais, como os ninjas. Mas, na verdade, os samurais eram toda uma classe social. Inclusive, no início, a palavra se referia à pessoas que “serviam e defendiam a nobreza”, e não necessariamente os guerreiros pessoais da mesma. Estima-se que, na alta do império japonês, em torno de 10% da população tenha sido samurai, o que faz com que praticamente todo japonês atual tenha algum tipo de laço de sangue com os guerreiros míticos do passado.

7 – Porte físico

Como se pode ver pela foto, samurais não eram gigantescos e amedrontadores, como se vê em pinturas e ficção acerca da época. Na verdade, o povo japonês já tem estatura baixa, mas a maior parte dos guerreiros tinha entre 1.60 e 1.65 (enquanto cavaleiros europeus tinham entre 1.80 e 1.96). A ironia é que, com narizes maiores que os dos japoneses comuns, o que mostraria traços europeus, grande parte dos samurais pertencia a um grupo étnico chamado de Ainu, que era comumente discriminado por ser uma “raça suja” dentro da sociedade purista japonesa (mais ou menos como mulatos ou índios no Brasil regencial).

8 – Seppuku

Diante da desonra, captura ou falha na proteção do mestre, era comum que o samurai tentasse redimir sua honra através de um suicídio extremamente doloroso, o seppuku ou harakiri. A maior parte das pessoas conhece a versão rápida, usada no campo de batalha, do processo. Mas na verdade, fora da situação de guerra, o ritual era muito mais complexo e dramático. Após tomar um banho e realizar uma última refeição com seu alimento preferido, uma adaga era deixada no prato vazio do samurai. Este, então, fazia um poema de morte, para então realizar o corte na barriga. Quando era decapitado, os carrascos tentavam deixar um parte de pele na parte inferior do maxilar, para que a cabeça caísse nos corpos do samurai. Caso voasse na plateia, o mesmo teria vergonha eterna.

9 – Homossexualidade

Contrariamente ao que muitos pensam, os samurais não apenas tinham a cabeça aberta em relação à prática homosexual, mas inclusive a incentivavam. Assim como os espartanos, relações eram geralmente desenvolvidas entre discípulos e mestres, o chamado “wakashudo”, ou “caminho da juventude”. Na verdade, essa prática era tão comum que caso não acontesse, geraria questionamentos críticos por parte dos outros samurais e mestres.

10 – Estrangeiros

Apesar dos gaijin – como se chama os estrangeiros em japonês, de forma negativa – serem discriminados, existem casos de ocidentais que foram rebatizados e entraram para o seleto grupo. Talvez a mais famosa história seja a ficcional, interpretada por Tom Cruise, em “O último samurai”, mas existiram alguns casos reais que inspiraram o filme. Existem registros de 4 homens ocidentais que se tornaram samurais: o aventureiro William Adams e seu colega Jan Joosten van Lodensteijn, o oficial da marinha Eugene Collache e o vendedor de armas Edward Schnell – e nenhum deles têm nada a ver com o filme de Hollywood.